Autor ajuda a encarar o mal da depressão de forma filosófica

Cinthya Leite
12/07/2005
É muito mais do que um manual para mostrar os caminhos para vencer a depressão. Sim, o livro Depressão: um beco com saída não se rende aos tradicionais clichês sobre diagnóstico e tratamento geralmente apresentados pelas publicações da área médica que abordam a doença a partir de uma linguagem científica. O objetivo do autor, o psicólogo e filósofo José Antonio Sespedes, é traçar uma ponte direta e informal com o leitor que sofre do problema ou que deseja se aprofundar no tema.

Acredite, o livro traz mesmo uma conversa sem rodeios e sem termos técnicos que deixam o depressivo ainda mais confuso. Mesmo nos momentos em que o conteúdo passeia pelos caminhos da auto-ajuda, o autor faz questão de ser objetivo e claro, com exemplos de quem já viveu crises depressivas e sabe os caminhos para se livrar delas. “Confesso que o sofrimento foi imenso, mas percebi que, quando estava em contato com a natureza, o problema praticamente sumia. Para mim, ficou claro que é preciso estar sempre em contato com o meio ambiente no processo da cura”, diz Sespedes.

Pois é, parece contraditório: um psicólogo indicado para tratar a depressão, viu-se enclausurado por ela. “Serve como exemplo para comprovar que qualquer pessoa está sujeita à doença, causada pelo estresse que somos forçados a compartilhar no mundo contemporâneo. Mas não é somente a correria que acarreta a doença da alma, o desestresse, que é o extremo oposto do estresse e motivado por uma parada brusca no ritmo de vida, também é um fator negativo”, diz o autor, que revela as duas facetas: a depressão fruto da ansiedade e euforia, como também oriunda da desmotivação.

O material de Sespedes, ao invés de trazer alternativas tradicionais da psicoterapia, oferece um arsenal de dicas simples ao leitor que tem fé. “ Oração, poemas e poesias fazem o indivíduo refletir e, por isso,servem como recursos para aliviar a dor”. É por isso que o livro é permeado de frases para levantar a auto-estima de quem enfrenta crises de depressão.

Além de trazer capítulos sobre a importância da religiosidade para nocautear a depressão, a publicação também enfoca o papel da família como essencial. “O apoio e carinho materno colaboraram muito para que eu superasse a fase de angústia, embora a decisão de se libertar deve partir do próprio indivíduo que passa pela dificuldade”, explica Sespedes, que nas entrelinhas do livro deixa claro que a união familiar fortifica porque não deixa o depressivo guardar para os problemas e faz brotar o desabafo.

                                                                    voltar