Existem circunstâncias em nossas vidas que se assemelham ao que ocorre entre gato e rato e vice-versa.  Daremos um exemplo prático disso: quando um indivíduo está com seu carro popular e passa outro veículo, mais luxuoso, ele se sente numa posição inferior. Mais adiante, ao cruzar com uma bicicleta, ele muda de lado: sente-se um felino perante um camundongo, e assim sucessivamente. Esta situação incide em todos os setores de nossa sociedade. Temendo a inferioridade, corremos em busca de algo que nos torne superiores, dando-nos a sensação de feras convivendo com frágeis roedores... As aparências e comparações, bem como posses, postos ou posição social, desencadeiam disputas e divisões entre as pessoas.

Rompendo o círculo vicioso
Para acabar com a rivalidade decorrente das diferenças é preciso aumentar nossa compreensão sobre a complexidade humana e sua complementação no tecido social. A natureza não se repete, tampouco existe superioridade ou inferioridade. Os contrastes e desníveis geram a harmonia entre os diferentes. Do contrário, a vida seria monótona. A singularidade do Ser e as infinitas formas de existência estão intimamente ligadas. O desconhecimento cria os equívocos sobre a importância de cada um, dando margem às comparações. O autoconhecimento comprova que o valor da criatura é inerente a ela desde seu nascimento.  O desejo de se sobressair dentre os demais ou o complexo de inferioridade desencadeiam o comportamento ‘gato/rato’...
Sempre haverá indivíduos com posses ou posição acima de outros, igualmente na escala inversa.  Diante de um cão feroz, o gato vira um frágil bichano, assim como um camundongo se torna grande comparado a um inseto.

Conclusão
Conforme analisamos, a saída para a síndrome do mais/menos, do grande/pequeno, está na libertação dos condicionamentos criados pela sociedade de consumo, que afasta o homem de seu estado natural e o faz um competidor, onde os desejos do ego se sobrepõem às necessidades reais. Ter um comportamento ético valorizando os próprios atributos e as conquistas sem se preocupar em confrontar-se com os demais é sinal de maturidade, pois o entendimento harmonioso faz com que gato e rato coexistam pacificamente, conscientes da condição de elos dentro da grande cadeia da vida.


José Antonio Séspedes
Extraído do Livro:"Depressão, um beco com saída"



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